O Gambito da Rainha (part. Gabriela Lages, Luana Kerly)


O Gambito da Rainha
Foto: Sextou com Platonyco, arquivo pessoal, 2020.

E estamos na área mais uma vez!!! Eu sou o Platonyco e tá começando mais um 6tou! No episódio da semana passada conversamos um pouco sobre o mundo da sorte e as suas implicações em nossas vidas e o tema de hoje tem a ver com sorte, porém aliada a um requisito fundamental: a estratégia. Você já jogou xadrez? Então sabe que esse é um jogo que exige dos participantes alta concentração e planejamento para mover as peças e vencer o adversário. Elisabeth Harmon quem o diga, os seus duelos no tabuleiro movimentaram a mais recente (e aclamada) minissérie da Netflix intitulada ‘O Gambito da Rainha” que estrou no dia 23 de outubro de 2020. E é sobre essa minssérie que a gente vai falar hoje. Preparados? Então vamos lá!

Para além das questões de estratégia, essa uma série que fala sobre um retrato que ainda é muito atual da mulher nas competições de xadrez, visto que este é um jogo dominado por homens. Imagine para uma mulher que quebrou todos os paradigmas na década de 1960. Beth Harmon cresceu em um ambiente segregado em que mulheres ainda eram treinadas para serem donas de casa e excelentes esposas e quando abdicavam disso para seguir qualquer outra carreira eram consideradas extremistas e dificilmente recebiam o devido respeito da sociedade. Porém, ela não ligou para isso, né Gabi?

Olá, meu nome é Gabriela Lages, e é um grande prazer estar participar desse podcast. Agradeço ao Tony pelo gentil convite.

O Gambito da rainha é uma série muito interessante baseada no romance homônimo de Walter Tevis, que narra a história de Beth Harmon, uma mulher inteligente, forte e determinada que enfrentou muitas negativas desde a infância: órfã, ela passou boa parte de sua vida confinada em um lar somente para meninas, no qual era perceptível o modo como essas meninas eram adestradas/educadas roboticamente, e até mesmo quimicamente através de calmantes, tudo isso para se transformarem em mulheres "boas, comportadas e submissas". Entretanto, a grande sacada da história é que apesar de tudo isso, Beth Harmon nunca concordou ou seguiu esses padrões. Ela não se sentia inferior ou dominada em momento algum da história e, sem dúvida, essa passagem dolorosa da infância para a vida adulta foi decisiva na construção de sua identidade enquanto mulher.

O xadrez, bem como diversas áreas, é um mundo essencialmente masculino, até mesmo em nossos dias, por isso, enquanto mulher, eu me senti representada na figura de Beth Harmon no momento em que ela quebrou esse tabu e afirmou o seu lugar no mundo.

Sem dúvidas, a frase mais emblemática da série, para mim, é: "É preciso ser uma mulher muito forte, num mundo onde as pessoas aceitam tudo. Só para dizer que têm alguma coisa". Nessa frase compreendemos a importância da série O Gambito da rainha, pois nela encontramos, em Beth Harmon, um exemplo de subversão de valores tão incrustados em nosso imaginário social e cultural, pois encontramos nessa série uma mulher que acredita na igualdade, que se sente igualmente capaz de vencer, seja no xadrez, seja na vida, que não se cala perante as injustiças, e, principalmente, que tem o poder de escolher o próprio destino, que tem coragem para mudar por si mesma.

Beth Harmon teve o seu talento genial reconhecido e desenvolvido pelo zelador do orfanato em que viveu. Teve o apoio incondicional da mãe adotiva, que se tornou sua agente, bem como teve o encorajamento de seus amigos e melhor amiga. Demonstrando, assim, que podemos viver em um mundo igualitário, desde que tenhamos nossas vozes e talentos reconhecidos e igualmente prestigiados. Por esses, e outros motivos, eu recomendo essa série.

Inclusive, Garry Kasparov, um dos mais importantes jogadores de xadrez, chegou a dizer que o xadrez não era um esporte para mulheres, embora logo tenha se retratado

A única mulher na lista dos 10 melhores enxadristas do mundo se aposentou há 6 anos. Ela se chama Judit Polgar, uma jogadora húngara que se tornou grande mestre aos 15 anos, quebrou um recorde que Bobby Fischer deteve durante trinta anos, inclusive já derrotou Vladimir Kramnik, Viswanathan Anand e o próprio Kasparov.

Em uma entrevista concedida à BBC em 2018, Polgar confessa que teve que se colocar à prova e competir por décadas para obter o respeito dos outros jogadores". A atual número no xadrez feminino é a chinesa Hou Yifan.

Mas Luana, o que mais te chamou atenção ali na minissérie:

Luana comenta sobre os principais pontos da série!

De fato, essa minissérie discute essa questão e levanta tantas outras, a gente percebe a infância problemática, a revelação de um talento único e as implicações em possuir um dom incomum. O Gambito da Rainha, através da atuação magnifica de sua protagonista anglo-argentina vivida por Anya Taylor-Joy, consegue falar sobre algo que possa parecer comum para algumas pessoas, mas que não fica só na superfície das jogadas de xadrez, há muito mais envolvido em cada um dos 7 episódios e todos levantam reflexões extremamente necessárias. E aí, você já assistiu a essa minissérie? O que achou? Se ainda não o fez, a gente te convida para conhecer a estratégica vida de Elizabeth Harmon. O 6tou está disponível em todas as principais plataformas e faz parte da rede lgbtqiap+ podcasters. A gente se encontra na sexta que vem!

Episódio anterior - Sorte #EP16 - Estreia da 2ª Temporada

Episódio seguinte - Se algo acontecer... Te amo (part. Samila Karla)

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Fale com as convidadas

Gabriela Lages - Instagram / Email: gabriela.1668@gmail.com

Luana Kerly - Email: luanakerly2012@gmail.com


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Platonyco | Estudante de Letras
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