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Dark - o fim é o começo e o começo é o fim (feat. Luis, Jonas, Yuri)

Foto: Yuri Jorge, arquivo pessoal, 2020.


E aí amores? Tudo bem. Hoje é sexta-feira, décimo dia do mês de julho e por alguma conscidência décimo episódio do Sextou com Platonyco. Eu não sei vocês, mas eu acho que isso envolve alguma teoria. Se você pudesse voltar ao passado e modificar alguma coisa, você o faria? E se você soubesse que não estaria mais nesse plano amanhã, o que você aproveitaria hoje? Essas são questões que todos nós ouvimos ao longo de nossa existência. São teorias e teorias que tentam nos dá uma resposta satisfatória. E por falar em teoria hoje a gente vai conhecer a história de alguns viajantes no tempo que provavelmente você já conhece e se ainda não, a gente te convida pra embarcar nessa viagem. No episódio dessa sexta eu convidei meus amigos Luís, Jonas e Yuri para um bate-papo sobre Dark. A gente vai tentar desatar alguns nós que talvez não ficaram claros pra quem assistiu.

E aí bebês!

Luís: fala seus perdidos no tempo! Se essa é a primeira viagem de vocês, não se assustem! O ano é 2020, eu sou Luís Silva, o Luís do presente e nós estamos em mais um episódio do podcast Sextou com Platonyco. Bom, eu sou bailarino, professor, mestrando em Letras. Faço alguns jobs de produção cultural e “ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome”, brincadeira rs. Eu queria agradecer ao Platonyco pelo convite para falar sobre essa (melhor) série que além de ter uma trama muito enigmática e até certo ponto sinistra, tem deixado muita gente confusa e sem entender quase nada. Sim como vocês já viram pelo título estamos falando de Dark, esse sucesso lançado pela Netflix em dezembro de 2017.

Jonas: Olá Tony, olá todos os ouvintes do Sextou com Platonyco! Queria agradecer o convite, logo nesse primeiro momento, para participar do podcast e bater um papo sobre essa produção, sobre essa série tão legal que é Dark que tá mexendo e eu acho que ainda vai mexer com muita gente também, principalmente quem ainda não deu uma chance de conhecer esse trabalho tão marcante pra cultura pop.

Yuri: Oi pessoas Yuri Almeida aqui.

Obviamente não é segredo pra ninguém aqui que vocês, assim como todo mundo maratonaram essa série, mas tenho certeza que vocês se dividiram aí para dar conta das múltiplas tarefas e atividades. Luís como o artista que você é se transformou e se reinventou durante esse período desafiador da pandemia?

Luís: a quarentena tem sido uma verdadeira roda gigante, né? A gente chegou ali no parquinho... hum vou na roda gigante, vou dar umas voltinhas e já se passaram quatro meses desde que estamos nesses altos e baixos dessa pandemia, dessa quarentena, desse isolamento social, né, mas assim para ser bem clichê, alguns dias melhores que os outros. Tenho aproveitado o meu tempo para estudar. Os trabalhos estão parados, né, porque como a classe artística depende do contato, depende das aglomerações, a gente não tá podendo fazer muita coisa. É mais planejamentos e aí tô aproveitando para estudar, para ler, para assistir filme, assistir série, para fazer minha dissertação que eu tenho qualificação logo mais. Mas enfim e tenho aproveitado para cuidar um pouco da mente, para exercitar o corpo porque não posso ficar parado né e é isto!

O Jonas é um grande musicista que toca, que grava, que têm produzido bastante durante essa pandemia, destaque aí para o seu novo trabalho o Gostar de Ti, música que particularmente acalmou meu coração saudoso das festas juninas. Enfim amigo, assim como o Luís você também teve que se adaptar, né?

Jonas: Sobre a quarentena e a rotina da quarentena eu creio que a minha rotina deva ser um pouco parecida com o que muita gente fez e ainda está fazendo desde o início da quarentena. Tenho me dedicado ao meu trabalho musical, tenho feito minhas composições musicais, tenho escrito algumas coisas, consegui produzir recentemente o meu single chamado Gostar de Ti que foi lançado no dia 12 de junho e isso é uma das vertentes do meu trabalho, a vertente musical. Tenho me dedicado também a assistir esses programas de entretenimento de Cultura Pop e Dark é uma dessas opções. Desde o início da quarentena aproveitei para maratonar as duas primeiras temporadas para ficar bem afiado, pra voltar e me inserir e reinserir em toda a trama estabelecida nas duas primeiras temporadas e ficar ali no ponto esperando a terceira, né. Fora isso também tenho me dedicado ao meu trabalho acadêmico, a minha produção da minha dissertação de mestrado, me dedicado aos meus estudos e tentando conciliar tudo isso no meio dessa rotina tão louca que a gente começou a viver desde o início da pandemia até o presente momento: usando máscara, usando álcool em gel, saindo só em momentos necessários e respeitando o sempre o isolamento.

E você Yuri, é um grande professor, também tem percebido as mudanças que tem ocorrido nessa modalidade de ensino à distância, né, enfim n questões, mas eu sei que você como um bom leitor tem feito a sua parte pra desacumular o maior livros possíveis, né?

Yuri: Eu não sei vocês, mas durante esse período de isolamento social eu tenho lido bastante, tenho aproveitado esse tempo para ler a pilha de livros que eu tenho acumulada que é há um bom tempo... e eu também tô assistindo as séries e filmes que estão cerca de dois anos na minha lista de sugestões da Netflix que são frutos de indicações de amigos, de sites, de redes sociais e pela minha falta de tempo acabaram ficando em Standby e acumularam no site da Netflix

Mas chega de enrolação e vamos partir para o que interessa. O que é Dark, o que esperar de Dark, quais os pontos principais da série que agitou as redes sociais nas últimas semanas com o fim da sua jornada? Luís vai falar um pouco pra gente sobre o que a primeira temporada conta sobre essa história.

Luís: Ah então, eu não sei se todos sabem, né, mas Dark, que foi lançado em dezembro de 2017, como eu já falei, foi a primeira aposta da Netflix em uma série alemã. E chegou com tudo, né, destruindo todas as estruturas da plataforma. Nem tanto assim, vai. Acho que o boom da série aconteceu mesmo esse ano com a pandemia e com o lançamento da terceira temporada. ‘Tava todo mundo em casa, mas foi suficiente para que ela se tornasse um verdadeiro fenômeno internacional. Inclusive o maior público da série somos nós brasileiros. Brasileiros sempre marcando presença! Eu lembro que assisti à primeira temporada no início de 2018. Acho que quando eu tirei as minhas férias em abril de 2018. ‘Tava aqui de boa em casa, fui procurar uma série para assistir, vi Dark e, fui, resolvi assistir. Menino, quando eu me dei conta, eu já tava era acabando a série. Não sabia mais nem meu nome, não sabia mais onde eu ‘tava, não sabia mais de nada!

Luís: E aí a primeira temporada é aquela loucura, né, meus @. A série já começa com um cara todo sujo escrevendo uma carta e depois se suicida, ninguém entende nada. Depois o Mikkel some, ninguém entende nada, mas é aí que se desenrola toda a trama da série com aqueles episódios que mais confundem do que explicam. Mas a gente consegue colher alguns elementos dessa primeira narrativa que é truncada e fora de ordem, mas dá para tirar algumas referências. A gente tem o desenrolar da história pela conexão de tempo entre 1953 e 1986 e 2019 que faz parte do ciclo de 33 anos e que é uma das teorias principais da série e é também quando supostamente o universo volta ali a sua posição. Tem o desaparecimento das crianças, o buraco de minhocas que foi criado pelo acidente lá na Usina de (?), a máquina do tempo e as viagens que eles fazem. E um dos principais motivos dessas viagens é trazer o Mikkel de volta. O Jonas tenta insistentemente trazer o Mikkel de volta e tem também o desaparecimento das outras crianças. O Jonas tentando ali trazer o Mikkel pra salvar o pai dele que é o Mikkel. E tem a galera que mente pra caramba o segredo de todo mundo que eles ficam guardando e que é o que acaba ocasionando um monte de merda e que é o looping infinito de tudo isso e de várias outras coisas que, quem já assistiu a série, sabe. Mas cara eu fico imaginando assim o trabalho sinistro que a galera que produziu essa série teve para entender esse roteiro e não perdeu o fio da meada, né, ou o Fio de Ariadne como a gente bem sabe que a série traz. Mas acho que um dos pontos mais bacanas é saber que tudo é pautado em teorias científicas que realmente existem, que não são criadas exclusivamente pela ficção e que muitas dessas questões são as nossas questões pessoais mesmo: sobre a nossa origem, sobre o tempo, sobre os ciclos que a gente vive, sobre as relações. Enfim, acho que em síntese da síntese dá que essa roleta da vida que se desdobra e se redobra infinitamente de forma tão misteriosa tanto quanto essa primeira temporada foi e que deixou a gente aí de cabelos arrepiados e sem saber muito bem o que dizer, o que fazer, como compreender. Uma loucura, né?!

Bom quase um ano e meio depois, Dark retorna com muito mais dilemas e com vários outros personagens que trazem revelações que mudam o destino atemporal de cada um deles né, Jonas.

Jonas: a segunda temporada de Dark estreou originalmente no dia 21 de junho de 2019 e nesta segunda temporada o que a gente tem é um mergulho muito mais profundo, muito mais complexo também nos conceitos que foram estabelecidos no primeiro momento, naquela primeira temporada que a gente acompanhou. Então para mim, isso eu particularmente falando, eu acho que a segunda temporada é um ponto muito mais alto da série porque a gente chega nesse ponto intermediário em que a história se torna muito mais complicada, os nós temporais vão se formando e a gente vai ficando mais curioso. A segunda temporada tem esse mérito de nos deixar mais instigados, ela vai atiçando a nossa curiosidade, a gente vai querer saber o que vai acontecer lá na terceira temporada, não é à toa que a terceira temporada foi tão esperada, né, porque a gente vai acompanhar as escolhas daqueles personagens do Jonas, do Mikkel, da Martha, do Bartosz, do Noah. Então a gente tem personagens que a gente já se aproximou afetuosamente, né, nós já temos uma certa afeição por esse personagem desde a primeira temporada, a gente vai vendo que a situação deles acaba se complicando muito mais, né. A gente a partir da segunda temporada já vai conhecer o Adam e vamos fazer a descoberta de quem é o Adam, do porquê que ele se tornou o Adam, como todas as ações do Jonas, as ações dos outros personagens vão desencadear outras consequências muito maiores que a gente vai descobrir no decorrer da temporada seguinte e para mim esse é o ponto alto da segunda temporada. Eu tenho um exemplo básico, tem muitas produções que digamos assim... se fez um primeiro momento a primeira temporada como se fosse um filme de um diretor, né. O diretor lança esse primeiro filme e a crítica pode considerar, o filme faz sucesso e a crítica pode considerar que é um golpe de sorte, né. O mesmo aconteceu com Dark, ela chegou timidamente surgiu ali naquele primeiro momento e já chamou atenção, mas a segunda temporada para mim, eu acho que pra muita gente também, acaba se tornando um ponto alto porque os assuntos se tornam mais complexos, as relações são mais complexas, mas o roteiro, a direção ela continua firme. O trabalho de produção da série é um trabalho incrível seja na fotografia, seja no roteiro, seja na direção é tudo ali feito com muito esmero. Então é o ponto alto da consagração de Dark para mim e a terceira temporada vai ser a temporada que vai ser responsável pelo fechamento de tudo isso que a gente acompanhou nesses dois primeiros anos.

Yuri e que temporada ambiciosa e com um desfecho que encerrou os questionamentos profundos das temporadas anteriores foi essa, hein? Conta um pouco mais sobre a parte final dessa história

Yuri: vou falar um pouco da terceira e última temporada de Dark que estreou recentemente no dia 27 de junho e vou fazer alguns comentários sobre o que eu achei interessante e o que eu não achei tão interessante assim sobre essa temporada. Mas a gente sabe como é que é né é Dark. Dark acontece de tudo é aquela série no qual a mãe é filha da própria filha e o bisavô é avô de si mesmo - um verdadeiro paradoxo, que é o ponto forte da série. No primeiro episódio da terceira temporada a gente pode observar que a história continua nos enchendo de surpresa, a temporada é retomada a partir do momento em que acaba a temporada anterior, minutos antes do apocalipse provocado pela explosão da Usina Nuclear de Winden que a cidade onde ocorre toda a trama. Exatamente na cena em que o Jonas vê sua amada Martha ser morta, assassinada por uma versão adulta de si mesmo que é o Adam. Eu me lembro que quando a gente viu o Adam pela primeira vez muita gente ficou se perguntando, “Mas será que é o Jonas mesmo ou será que é outra pessoa que tá se passando por Jonas? Como é que ele ficou com tanta cicatrizes, com tantas marcas, como é que ele ficou tão irreconhecível desse jeito?” e durante a temporada a gente acaba descobrindo que sim, é o Jonas, é ele mesmo e que tudo isso, toda essa deformidade foi resultado de vários e vários e vários anos de experiências com a máquina do tempo. Bem ainda nessa cena a gente observa que Jonas está desesperado porque ele acabou de perder o amor de sua vida e ainda acaba sendo salvo durante esse apocalipse por outra Martha de uma linha temporal completamente diferente, uma linha temporal alternativa, revelando assim na série a existência de um universo paralelo. Até aí tudo beleza, mas até então como vimos nas temporadas anteriores a história que já era bastante complexa por envolver viagem no tempo e apresentar os personagens e linhas temporais diferentes ficou ainda mais louca com essa história de universo paralelo. Eu mesmo fiquei bastante chocado e me perguntando como showrunner da série iriam abordar essa questão de universo paralelo e tudo mais. Mas eu acredito que eles conseguiram fechar bem a sério, eu acredito que eles conseguiram trazer todas as informações, nos mostraram bastante coisas que ainda estavam em aberto desde a primeira temporada cumprindo assim o que foi prometido para os fãs o encerramento digno para série que é uma das mais populares agora na Netflix. Eu quero destacar uma coisa interessante que observei durante esse período pré- Dark pré-terceira temporada de Dark ser lançada é que a série acabou com esse destaque das mídias, das pessoas comentando sobre a série entrando em alta das mais assistidas da Netflix, ou seja, o burburinho provocado pelos fãs nas redes sociais e na mídia fez com que ela viesse, chegasse com tudo atraindo pessoas que ainda não conheciam a série e isso foi bastante legal porque mostrou que os fãs também tem um papel muito importante na divulgação.

Yuri: acredito que o último ano da série foi além de preencher as lacunas que ficaram das temporadas anteriores que eram bastante, ela serviu também para desenvolver ainda mais personagens e enfatizar o amor entre os casais da série como, por exemplo, os protagonistas Jonas e Martha, o Adão e a Eva. É interessante falar sobre isso agora porque eu me lembro que quando eu estava conversando com o Jonas e com Luis, eu cheguei a contar para eles a possibilidade deles serem Adão e a Eva, deles estarem fazendo uma referência da Bíblia sobre pecado, sobre paraíso, eles serem os pais iniciais, algo do tipo, e em parte eu acho que acabei acertando na minha teoria porque como é mostrado na série, o filho deles é um fruto da união de dois universos diferentes, de duas terras diferentes, da Terra 1 que aquela que a gente já tava acompanhando desde o início da primeira temporada e a Terra 2 que é a terra da Martha que veio salvar o Jonas do Apocalipse. Então, esses personagens acabam entrando em uma jornada para salvar seus mundos. Eles são constantemente enganados pelas suas versões futuras que eu acho que foi o ponto que mais saturou dentro da série, eles falavam muito sobre “você tem que salvar seu universo, o Adão tá te enganando, a Eva tá te enganando” e ficavam jogando sempre os personagens de um lado para o outro. Eles também acreditavam muito fácil em tudo que eles falavam, eram bastante ingênuos e teve momentos que isso me deixou um pouco cansado, eu acredito que não fui o único que  ficou cansado com esse vai e vem do Jonas e da Martha para tentar salvar os seus universos. Acompanhamos também a Hannah que para muitos foi uma das grandes vilãs da série por ser falsa, inescrupulosa, mentirosa e tentar roubar o marido da amiga, mas para mim ela foi um dos melhores personagens da série. Então a Hanna acaba voltando ao passado para tentar construir uma nova vida e acaba se envolvendo com o policial Egon e nesse momento acabam tendo uma filha que mais tarde a gente descobre quem é essa filha que é irmã do Jonas, acaba se envolvendo com Bartosz e eles vão ser os pais do Noah e da Agnes. Além da Hanna também voltou ao passado Catarina que estava buscando o filho dela o Mikkel acaba nessa viagem frustrada a 1986 não encontrando o Mikkel, mas o Ulrich e nesse encontro que eu acho que é um dos mais emocionantes ela acaba combinando com ele de marcar um horário para fugir.

Yuri: E nessa tentativa frustrada de fuga da Catarina com o Ulrich que já está bastante velhinha lá em 1986, a gente entra em dois outros mistérios que até então a gente não sabia. Primeiro é da onde veio aquela medalhinha de São Cristóvão que é revelado, então, que foi um presente que a Hannah ganhou do Egon lá em 1953 e é que ela acabou dando para outra pessoa, que ela acabou dando para mãe da Catarina, sendo esta, a mãe dela, o próprio empecilho para fazer com que ela volte no para o futuro com o Ulrich atrapalhando tudo numa briga em que a Catarina tá tentando pegar uma chave para liberar o Ulrich para fugir com ele, a mãe dela vai lá e acabar matando ela, sem saber que era a própria filha que ela tava matando. E a mãe dela acaba também mostrando para gente como era a relação dela com a Catarina lá em 1986, que era uma relação bastante abusiva, a gente pode ver alguns momentos ela xingando e batendo na Catarina. Isso pode até explicar para gente porque que a Catarina era uma pessoa tão rebelde lá em 1986 e eu fiquei assim um pouco triste com o final da Catarina e da Hannah porque ambas acabaram infelizes, tristes e desesperadas e foram mortas por parentes próximos. A Catarina foi morta pela mãe e a Hannah foi morta pelo próprio filho, o Adão e inclusive falando dessas mortes que não são as únicas que acontecem e que me chocaram um pouco, também tem outras mortes que aconteceram em que familiares mataram outros familiares dentro da série como, por exemplo, da Cláudia que matou o próprio pai só que ela matou sem querer e a Agnes que acabou matando o irmão dela, o Noah e lá também na segunda temporada da série a gente observa lá no primeiro episódio que o Noah acaba matando o Bartosz que é o pai dele, só que na época a gente não sabia que era o pai dele que aquele personagem era o Bartosz. Então foi tragédia em cima de tragédia, pai matando filho, filho matando pai, irmão matando irmão, uma verdadeira matança nessa série quase um Game of Thrones.

Yuri: três questões interessantes que eu acho que vale a pena a gente comentar. A primeira é com relação ao Ulrich que a gente acaba descobrindo que é um grande safado que traiu as esposas nos três mundos apresentados na série: na Terra 1 ele traiu a Catarina com a Hannah, na Terra 2 ele traía a Hannah que estava grávida dele com a Charlotte e na Terra origem ele traía também a Catarina com a Hannah, então aquele famoso ditado “pau que nasce torto nunca se direita” eu acho que foi feito exclusivamente para esse homem. O segundo fato que me chamou atenção foi com relação ao policial Torben Woller aquele que está constantemente tentando explicar para gente o que aconteceu com o olho, mas que toda vez que vai tentar explicar ele acaba sendo interrompido, a conversa ganha um novo rumo e a gente nunca sabe o que vai acontecer com o que aconteceu com o olho dele. Isso acabou até virando uma piada porque muitos fãs criaram bastante teoria, especularam bastante coisa e na hora era só uma piada mesmo era só um alívio cômico e por fim é sobre a origem do Boris, o Boris que surgiu em 1986 tava fugindo adotou um novo nome, uma nova identidade como Alexsander e acabou se envolvendo com a Regina. A Regina que apresentou ele para família ele acabou assumindo uma grande responsabilidade dentro da usina e acabou se transformando no chefe lá da Usina Nuclear de Widen. Então a origem dele acaba sendo explicado só que de maneira muito indireta, apenas no jornal dá para ver rapidamente a história dele como ele foi para lá em Widen que é fugindo da polícia por ter assassinado um comerciante durante um assalto, só que esse jornal esse recorte de jornal que aparece lá para gente tá em alemão e aí muita gente acabou não sabendo o que que tava se tratando ali naquele naquela notícia. Então a explicação sobre o Boris acabou ficando muito indireta para o telespectador.

Yuri: depois de tanta disputa entre Adan e Eva para salvar seus respectivos mundos, a gente acaba descobrindo graças a Cláudia que teve a brilhante ideia de parar para pensar e questionar tudo aquilo que esses dois mundos são na verdade frutos de um mundo, de uma Terra Origem. O Tannhaus da Terra Origem criou uma máquina do tempo para tentar salvar o filho, só que esse experimento acabou não dando certo e criou esses dois mundos que nós conhecemos durante a série e pra quebrar esse ciclo e acabar com tudo isso os jovens, nossos personagens o Jonas e Martha vão ter que salvar o filho do Tannhaus e a sua família, só que isso também tem um preço a ser pago, se eles forem salvar o filho do Tannhaus eles vão acabar desaparecendo sumindo, mas eles aceitam, afinal de contas aquele ciclo já estava sendo infernal, ninguém conseguia sair dele em todos os casos a Terra sempre era destruída, então eles resolveram acabar de uma vez por todas com aquilo. Achei um sacrifício muito nobre do Jonas da Martha que literalmente mudaram bastante, já não são os mesmos, já não são os mesmos personagens de lá da primeira temporada, já são personagens completamente diferentes e o fazem, salvam o filho do Tannhaus, consequentemente acabam desaparecendo. Há uma cena, a cena que eles estão no Limbo que me lembra bastante o filme Interestelar e quando eles estão desaparecendo, virando poeira, isso me lembrou muito Guerra Infinita. Eu acho que várias pessoas também tiverem esse insight. E a gente tem que parabenizar o Baran bo Odar e Jantje Friese que são os criadores da série por conseguirem fazer com que a série não perdesse a essência e explicasse tudo aquilo que se propôs já desde a primeira temporada.

Ok, muito que bem. E por que vocês indicariam essa série?

Luís: porque o indicaria Dark? Nossa... acho que pelo conceito e pelo conjunto perfeito de produção, fotografia, roteiro, a trilha sonora que é incrível, o elenco que é maravilhoso. Acho que cada departamento desses é um espetáculo completo e independente assim, sabe?! Mas acho que também porque Dark tira a gente da caixinha, para ver questões que a gente sempre teve dentro da caixinha. E aí a gente só encontra isso quando encontra com um alto grau de complexidade, de teorias, de viagens, de feridas, de marcas e de fios... naquela loucura toda. Fora que ali a gente tem uma plataforma de situações para serem usadas em várias ocasiões da vida, né?! É só sair na rua falando “a diferença entre passado presente e futuro é somente uma persistente ilusão” ou então a clássica “o fim é o começo e o começo é o fim”. Tem vários motivos, né, o que eu digo sempre é assistam Dark assistam de novo, assistam mais uma vez, assistam sempre que mesmo tendo acabado com essas três temporadas, e eu acho que foi um tempo ok, é uma série que vai trazer questões a cada vez que a gente assistir e sempre vai pegar a gente com aquele suspense gostoso que ela tem e é isto meus anjos, assistam Dark.

Jonas: acho que eu indicaria Dark por uma série de fatores que a série apresenta e que são tão legais de terem discutidos e debatidos e interessantes, isso dependendo do público que eu quero atingir com esses meus argumentos. Então eu poderia falar desde a viagem no tempo, os conceitos de ficção científica abordados na série, a direção de elenco, a direção de fotografia, o elenco em si, o roteiro, toda a trama, mas eu acho que faria a indicação de Dark por um tema ainda muito mais legal que permeia toda a série que são as relações e as escolhas que a gente tem que fazer em cada momento da nossa vida porque para mim a viagem no tempo é um termo acessório para contar essa história, é muito importante, mas também eu acredito que o ponto principal sejam as relações, como o cada personagem se relaciona com suas famílias, com seus conhecidos, com seus amigos e como essas relações têm impactos em determinados momentos do tempo, seja no passado, seja no presente ou no futuro. E isso é muito real, isso são dilemas, os personagens têm dilemas, têm problemas que cada um de nós poderia ter muito bem na nossa casa. A gente não tem a viagem no tempo, pelo menos ainda não, né, mas os problemas a gente tem sempre, as dificuldades a gente tem sempre, mas ainda que isso eu diria também que a série trabalha muito sobre escolhas e sobre esse nosso desejo. Não é à toa é um dos argumentos da série como nós estamos presos ao peso dos nossos desejos, às nossas ações, nossas escolhas e isso me lembra muito aquela frase que às vezes a gente fala “poxa se eu pudesse voltar no tempo eu teria feito determinada coisa diferente”. Basicamente Dark é sobre isso, é sobre termos um acontecimento em uma linha do tempo e alguém ter a capacidade de voltar e alterá-lo, não alterar aquele determinado fato, não necessariamente de maneira positiva. Mas basicamente é sobre isso e não à toa a viagem do tempo é um tema que vem sendo utilizada há muito tempo na cultura pop, mas se a gente parar para prestar atenção, por exemplo, “De Volta Para o Futuro” que é um marco da cultura pop também sobre viagem no tempo e outros filmes que abordam esse tema tão rico e tão complexo, “Vingadores Ultimato” recentemente fez isso, as viagens do tempo acabam sendo motivados pela vontade, por algum desejo, por essa nossa vontade de mudar alguma coisa que aconteceu. Então basicamente tudo que acontece em Dark também é motivado pelo desejo, pela vontade e pelas escolhas dos personagens.

Yuri: Sim, Dark aquela série alemã que por muitos consideradas difícil de entender, mas eu já jogo aí a questão: Será que ela é difícil de entender mesmo ou será que a gente que não tá acostumado às séries que abordam questões filosóficas e existenciais? Fica aí o questionamento. Para mim essa série é um verdadeiro caldeirão de informação porque ela apresenta um pouquinho de tudo, se você gosta de suspense ela tem, se você gosta de ficção científica ela tem e se você gosta de drama ela também tem, além de nos apresentar inúmeros personagens, atores e ambientações. Enfim, é uma série bem interessante que a Netflix felizmente trouxe para o seu catálogo produziu e encerrou-o brilhantemente.

Yuri: e a gente tem que agradecer o o Baran bo Odar e Jantje Friese que são os criadores da série por fazer com que ela não perdesse sua essência e continuasse com aquela mesma pegada da primeira temporada e conseguisse responder todas aqueles questionamentos que a série trouxe e que ficaram em aberto e que brilhantemente conseguiu fechar todos os pontos. A única coisa que eu continuo questionando é: o Jonas tomou ou não tomou banho durante essa série?” Mas enfim, eu indico essa série, eu acho que as pessoas que tentaram assistir vão achar bem interessante porque ela não é uma série comum, ela requer que a pessoa sente, reflita, crie teorias, tente encontrar as respostas, é um grande quebra-cabeça audiovisual. O figurino da série é impecável nas três linhas do tempo que é mostrada presente, a gente observa isso, essa diferença. A fotografia também é impecável e eu acredito que vale muito a pena assistir essa série.

Gente, muito contribuição de vocês, vcs são maravilhosos!

Luís: ah gente... eu não vou embora, não vou... vou ficar aqui até sexta-feira que vem! Vou falar no próximo episódio do podcast, não vou embora! Mas eu queria agradecer, muito obrigado Platonyco pelo convite, foi um prazer falar contigo e com os meus migos Jonas e Yuri sobre essa série que eu amo, que eu sou super fã desde que eu assisti em 2018. E continuo indicando-a para todo mundo e enfim quem quiser me seguir no Instagram meu @ é @silvaluis_. Lá posto algumas coisas legais... mais ou menos, vai! Posto algumas fotos, tem fotos de trabalhos meus que eu participei, produzi, tem coreografias e tem várias outras coisas também. Me sigam e um beijo! E até a próxima oportunidade, tchau!

Yuri: Gostaria de agradecer ao Tony pelo convite de participar do podcast semanal dele, eu acabei descobrindo que é muito desafiador fazer isso, parece algo simples, mas é bem complexo, envolve estudo, envolve organização. Enfim muito obrigado Tony pelo convite e para quem quiser saber um pouco mais sobre mim e sobre o que eu faço é só me seguir nas redes sociais @yuriliteral.

Ouçam Gostar de Ti em todas as plataformas digitais!

Lembrem-se que na prática a gente ainda não pode viajar no tempo pra arrumar alguma bagunça que a gente deixou no passado ou prevenir que ela não aconteça no futuro. Só temos o agora, então aproveita veado. Dark está disponível na Netflix pra você fazer essa reflexão.

A transcrição desse episódio está em http://platonyco.com . Ouça outros podcasts produzidos e direcionados para pessoas LGTQIA+, saiba mais em https://lgbtpodcasters.com.br/. Até o próximo encontro! Cheiro!

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Episódio anterior: Orgulhar-se: a história do movimento LGBTQIA+ na luta por direitos (feat. Prof. Jeff Maciel)

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