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As Vantagens de Ser Invisível (feat. Luana, Revétria)

Fonte: arquivo pessoal, 2020.


Sejam todos bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio do Sextou com Platonyco. O sétimo episódio da temporada por alguma coincidência caiu justamente no dia do aniversário de um dos meus convidados. Será que isso é um sinal? Não sei, fica a dúvida. Vamos torcer pra que seja dinheiro. Mas por falar em dúvida, quem era você em 2012? O jovem que ouvia o hinário Diamonds da Rihanna, ou aquele que sonhava com o Camaro Amarelo da dupla Munhoz e Mariano? Bom, eu provavelmente estaria ouvindo We are Young do Fun e Janelle Monae, música que tem tudo a ver com o tema do episódio de hoje, enquanto mamãe assistia aos surtos de Carminha em Avenida Brasil. Meus convidados inclusive estavam tão emocionados com um filme que foi lançado nesse mesmo ano que eu resolvi chama-los pra essa colab. Mas digam aos nossos ouvintes quem são vocês na fila do pão?!

Luana: Oi gente, eu me chamo Luana Kerly, sou estudante de letras e eu divido o mesmo espaço da universidade com o Tony e com o Revétria, então a gente se encontra nos corredores da faculdade e hoje eu fiquei muito feliz pelo convite para participar desse episódio, desse podcast e de poder dividir a discussão sobre um livro- que foi adaptado para filme -com duas pessoas que também tem um amor em comum por esse filme. E hoje nós vamos falar do filme especificamente, as vantagens de ser invisível que eu acredito que tem um valor sentimental e tem um sentido particular para cada um de nós e que a gente gosta tanto assim em uma proporção tão bonita e tão verdadeira que resolvemos partilhar com vocês as nossas concepções, as nossas  interpretações e o nosso carinho especial por esse filme.

Revétria: Oi pessoal! Me chamo Revétria, sou estudante de letras e fiquei bem empolgado para participar desse podcast fantástico que acontece toda sexta-feira com Tony e compartilhar de um assunto tão bacana com vocês que estão aí do outro lado. Hoje iremos tratar de um filme que é particularmente o meu favorito e não traz abordagens ainda bem atuais e interessantíssimas. Então realmente espero que vocês gostem!

Tony: Parabéns, Lu! Tenho certeza que irão gostar, sim! A gente vai tentar contar um pouco da trajetória do filme, destacando seus principais pontos. Revétria, conta um pouco pra gente sobre a ficha técnica desse filme.

Revétria: Então, o título do filme já nos traz aquela curiosidade, né?! As vantagens de Ser Invisível, a gente já sente o impacto do conceito e fica super curioso para ir mais adiante da história. Primeiramente, eles nos apresentam Charlie que trata de um jovem que não possue amigos, tá sempre escrevendo cartas e tem uma grande dificuldade em interagir com outras pessoas e mesmo se sentindo dessa forma, ele se sentindo deslocado, cria um vínculo com o professor que vê muito potencial nele. Até que em um determinado momento, mesmo se sentindo então invisível - digamos assim - ele conhece Sam e Patrick que são dois personagens fundamentais para o desenvolver do filme.

A direção do filme fica por conta do Stephen Chbosky, que é um escritor norte-americano e também o roteirista e ele faz o papel incrível, né, como em tudo que esse cara se propõe a fazer: já participou de obras como A Bela e a Fera, O Extraordinário, então já dá para vocês terem uma noção de quem a gente está falando. É uma pessoa realmente genial.

Tony: E é interessante que o Stephen escreve e dirige um filme que é baseado no romance dele de 1999. Ou seja, de fato vamos ver a reprodução mais fidedigna do gênero. E quem faz parte do elenco?

Revétria: No elenco contamos com Logan Lerman, o querido Percy de muitas pessoas, interpretando o Charlie. Temos a Emma Watson, a eterna Hermioni contracenando como Sam e o brilhante Ezra Miller que nos apresenta o personagem mais divertido na minha opinião que é o Patrick, também temos outros artistas como Nina Dobrev, Mae Whitman. Então já dá para vocês sacarem que é realmente um elenco da pesada.

Tony: Sim, um baita elenco. Mas Luana, tem alguma vantagem em ser invisível ou é só um meme coletivo?

Luana: Então, como o próprio nome sugere as vantagens de ser invisível nos leva para uma reflexão de uma situação muito particular, porque se a gente for parar para pensar quais são as vantagens de ser invisível? isso nos faz pensar diretamente nas nossas questões pessoais, de como a gente se manifesta para as outras pessoas, de como a gente se relaciona, como a gente lida com os nossos sentimentos e é basicamente isso que o filme vem tratar, essas oscilações de emoções e de como os adolescentes vão tratando dessas questões que vão moldando suas personalidades. Pra mim, esse filme tem um gosto muito nostálgico, sempre que eu penso nele eu também penso em outras partes da minha vida, no ensino médio, nas transições, nas novas escolhas, de como as nossas questões, os nossos problemas, as nossas dúvidas elas são reais, são sensíveis e vão tomando forma com o tempo, com as novas experiências e também com as pessoas que a gente vai conhecendo pelo meio do caminho.

Eu tô falando isso que é justamente para explicar que esse filme vem mostrar a vida de um adolescente, no caso o Charlie, que preenchido por uma série de situações tristes -e eu acho que não tem como não dar spoiler mas isso não tira o encanto do filme eu garanto, quando vocês forem assistir -o Charlie passou por uma série de situações tristes com a perda da sua tia, seu melhor amigo que se suicida, ou seja, um contexto de emoções muito pesadas e então ele entra no ensino médio sem muitas perspectivas, até quando ele entra na escola ele comenta que "faltam mil e poucos dias para terminar o ensino médio", então ele entra no ensino médio como se fosse uma fase que ele teria que superar, que ia ter que passar e não com algo que ele iria viver e que de fato, viveria. E assim, ele chega e se depara com outras pessoas, cria outro círculo de amizade com pessoas com personalidades diferentes da dele, e neste momento que as emoções do Charles vão sendo mostradas, ele começa a dialogar com essas novas pessoas e começa a entrar no mundo dessas novas pessoas, onde vai percebendo como que a personalidade dele é muito importante, como ele consegue se relacionar com o outro, como ele consegue sim ter afeto ter novas questões, ter novos interesses. É muito interessante porque o filme vai fazendo uma linha de todas essas questões pessoais, de adolescentes com personalidades diferentes e com situações que são necessárias para que eles possam realmente construir as suas personalidades enquanto adultos. Então, essa transição entre o ensino médio e o ensino superior que eles interpretam de uma forma muito bonita, muito positiva -que não deixa de ser atual- faz com que nós possamos assistir de fato o filme e se identificar com muitas cenas, com muitos questionamentos, com muitas inquietações, então acho isso muito interessante.

Tony: Eu particularmente me envolvi com todos eles, em especial com o Charlie. Ele carrega uma carga emocional muito grande! Ainda que esse quadro seja comum em uma idade de transição que está se recuperando de diversos traumas, ele encontra no circulo de amigos um grande conforto pra lidar com essas situações. Mas e aí, qual são os melhores momentos do filme na opinião de vocês?

Revétria: Um dos melhores momentos do filme para mim são com certeza as cenas do Patrick. Ele aparece zoando alguém ou fazendo alguns comentários engraçados e eu acho isso um máximo. Também outros momentos mais reflexivos do filme, né, de diálogos marcantes, frases fortes que eles utilizam como a cena em que o professor está tratando de relações amorosas, né, com o Charlie que fica meio em dúvida do porquê pessoas tão maravilhosas escolherem pessoas ruins para ficarem juntos, né, e professor diz pra ele Que nós aceitamos o amor que achamos que merecemos e isso me marcou de uma forma muito grande, essa frase. Vejo claramente um pouco de mim em cada personagem, né, me vejo no personagem da Emma (Watson) quando se trata de um Revétria nas relações amorosas, né, quando se trata da minha insegurança, vejo um Revétra no Patrick no sentido de zoação de... estar em uma roda de amigos e fazer graça né trazer alegria pra todo mundo e também me vejo um certo ponto no Charlie porque determinados momentos eu fico daquela forma, sabe?! Quero resolver os meus problemas de uma maneira mais individual, me fecho mais, fico mais reflexivo sobre tudo o que tá acontecendo ao meu redor. E há outra cenas que marcaram bastante como a cena do túnel que é muito especial para mim porque você realmente consegue sentir aquela emoção que o Charlie está presenciando, né, que é como ele mesmo diz que ele se sente infinito e eu acho isso muito bacana.

Luana: Foi muito difícil eu elenca as minhas cenas favoritas do filme, porque eu sou totalmente apaixonada por esse filme do começo ao fim, mas, com um pouquinho de esforço e pensando nas coisas que me levaram a refletir bastante eu selecionei umas três ou quatro cenas que eu gosto bastante.

A primeira é bem no comecinho do filme, quando Charlie chega na escola e aparentemente o primeiro amigo que ele faz é o seu professor de inglês e o professor de inglês começa a dar livros para o Charlie, depois com o desenrolar do filme, tem um momento que o Charlie faz uma pergunta para ele que " porque a gente aceita amores que nos fazem mal?" -mais ou menos assim- o professor responde "você aceita o amor que acha merecer, que você julga merecer" isso é muito legal porque faz a gente refletir sobre o que a gente aceita para nossa vida que é reflexo do que que a gente acha, de como a gente se enxerga, como a gente se ver eu acho muito bonitinho. Também tem uma cena, a cena do carro que viralizou por aí, que é quando o Charlie está no carro com o Patrick e a Sam, e então começa a tocar uma música que se chama "Heroes"- vocês depois podem ouvir, eu super indico-  e a Sam sai, vai para a parte de trás do carro, abre os braços porque eles estão passando no túnel, e ela fica sentindo o vento e Charlie fica admirado, porque ela é uma pessoa muito leve, que quer aproveitar a vida, que quer sentir as coisas e eu acho muito bonitinho nessa cena. Também quando o Charlie defende o Patrick e posteriormente eles têm uma conversa  sobre a sexualidade do Patrick, que no filme é gay e ele tem um conflito com seu namorado, com o pai do namorado e depois quando eles se separam, O Charlie anda com o Patrick  muitos e muitos dias, e ele narra que "quando a gente começa a passear Patrick tá muito feliz, tá muito empolgado e depois eu o percebo triste, pois está só tentando fugir das suas dores", e é muito legal como mostra a sua relação de amizade, o Charles já sabe como vai ser os passeios e mesmo assim ele tá sempre disposto a acompanhar o amigo, fazendo com que aquele momento de dor seja mais suportável, acho muito legal. E por fim, quando ele escreve a carta final, o filme é retratado com cartas, acho que isso é muito mais destacado no livro. O Charlie vai escrevendo cartas o tempo todo e ele termina com uma carta falando sobre ensino médio, das vivências do ensino médio, e tem uma parte dessa carta que eu acho muito bonitinha e eu vou ler posteriormente se tiver oportunidade.

Tony: Ok, Luana sendo Luana, amo. Sim, irá ler sim. Mas vamos deixar os nossos ouvintes curiosos por enquanto. E estamos chegando ao fim do episódio de hoje, mas antes de encerramos queria que vocês nos dissessem três motivos para as pessoas verem ou reverem esse filme.

Revétria: E chegamos ao quadro dos três motivos para vocês verem As vantagens de Ser Invisível. Bom, gente, vocês precisam ver esse filme, é sério. É uma obra de arte! Primeiro que tem um elenco perfeito com uma atuação impecável, o filme aborda questões que fazem com que você reflita, aborda sobre a adolescência, então, você já sabe que é uma fase cheia de descobertas, desejos e isso acontece no filme e mais um motivo para vocês verem e reverem é a trilha sonora que parece ter sido escolhida em momentos super (mais super) coerentes de uma forma que eu fiquei: mermã que coisa mais digna! Sério, vocês vão se arrepiar com cada música e especialmente em cenas icônicas como a do túnel e a obra retrata uma cultura muito, mas muito aconchegante e nos traz uma sequência de frases até um tanto Tumblr, mas que faz você pensar: meu pai, como eu não vi isso antes?! E enfim, né, até me empolguei!

Luana: Eu acho muito interessante no filme como muitas questões que são muito importantes e relevantes, são tratadas de forma leve. Eu falo forma leve pelo andar da narrativa da maneira que é demonstrado, como os atores interpretam, por exemplo, questões de trauma infantil, de homossexualidade, de aceitação, de saber lidar com as diferenças. Os personagens têm personalidades diferentes, o que os torna únicos e não os excluem isso é muito bonito no filme, perceber que cada pessoa tem uma personalidade -que obviamente acabou sendo construída a partir das suas experiências pessoais- e de como é muito bom você saber enxergar o outro, você saber olhar o outro com amor, com carinho, saber acolher as emoções da outra pessoa com respeito ainda que sejam diferentes das suas. Logo, o filme vai tratando justamente sobre isso, sobre esse respeito, essa abertura para o novo para o que é diferente pro que é bonito e que é real.

Tony: Muito bem, queria agradecer imensamente a tua participação, amigo.

Revétria: Veja esse filme e eu juro que ele vai tocar a cada um de vocês e se ele não tocar vejam de novo e meu último recado para vocês é que vocês sintam bastante a vibe do filme e se emocionem assim como eu, fazendo com que ele seja parte da vida de vocês também.

Luana: E é isso, fiquei muito feliz pelo convite Tony, muito, muito obrigada por poder participar desse episódio desse podcast. Peço que vocês continuem ouvindo os próximos episódios, com outras pessoas, com novas histórias e que vocês possam compartilhar, indicar e possam assistir ao filme, possam ler o livro e ter suas próprias considerações beijos e nos vemos por aí!!

Tony: Eu é quem me sinto imensamente grato por vocês terem topado falar desse filme que foi um marco nas nossas vidas e provavelmente em quem já acompanhou a essa trama e quem sabe em quem ainda irá assistir ao filme. Seja pelos muitos motivos que vocês falaram aqui, seja pela trilha sonora ou pela entrega da direção e elenco do filme, tenho certeza que você será surpreendido positivamente.

A transcrição desses e dos demais episódios estão disponíveis no blog platonyco.com e você pode ouvir o podcast nas principais plataformas digitais. Sexta que vem temos um novo encontro, cheiro!

Fale com os covidados: luana kerly - luanakerly2012@gmail.com / revétria - revetrialencar@outlook.com

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