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A crítica social em Corra! (feat. Karol Abreu)

Fonte: arquivo pessoal, 2020.

 

Sexta-feira, 22 de maio de 2020, mais uma semana de quarentena chegando ao fim! E, aí, deu pra aproveitar alguma coisa? Espero que sim, hein?! Aí você me pergunta: aproveitar dentro de casa...Nossa... Mas como? Merman tu podes fazer mil e uma coisas ou pode não fazer nada também e tá tudo bem também. Bom... eu optei por estar mais próximo, mesmo que distante, dos meus amigos e da minha família. E, olha, foi muito proveitoso! Aliás, altos babados! A internet é uma ferramenta muito poderosa, se usada do jeito certo, é claro. E foi graças a ela que nesse episódio vamos ter uma ponte virtual de diálogo. Eu disso vamos porque hoje tenho a presença ilustríssima da minha amiga, mais que irmã juntos e “shallownowdas”, Karol Abreu. Provavelmente alguns de vocês já a conhecem, mas te apresenta aí mulher.

Karol: Oi, gente, meu nome é Karoline e estou imensamente feliz de participar deste momento com o Tony e com vocês que têm acompanhado do outro lado esse podcast que sai todas às sextas-feiras e que tem tratado sobre muitas temáticas. Hoje eu trouxe pra vocês, pra pontuar sobre um filme que eu assisti há um tempo e que vale muito a pena compartilhar e discutir algumas coisas sobre ele.

Ah... Karol, eu é quem agradeço a tua participação. Gente, a Karol também é estudante de Letras e a gente já se conhece tem um tempinho, né, miga? Mas enfim, a indicação de hoje vai para um filme que é super tenso, assustador, que mesmo lançado há alguns anos segue sendo atual. E o título já dá uma brecha do que a gente pode esperar dessa história, né Karol?! 

Karol: Bom, Tony, o título do filme, por si só já é sugestivo e curioso: Corra!, em inglês, Get out, foi lançado em 2007, pelo diretor Jordan Peele, formando o elenco principal os atores Daniel Kaluuya, que interpreta o personagem Chris e Allison Williams, interpretando Rose, formando o casal principal da trama.

E pra quem não se lembra, a Alisson está atuando como a personagem Kit Snicket em Desventuras em série, websérie americana de drama da Netflix, baseada no romance de série infantojuvenil de Lemony Snicket e desenvolvida por Mark Hudis. Eu li algumas críticas na internet, Karol, sobre o fato de “Corra” ter sido dirigida pelo Jordan Peele que era alguém já tinha um nome consagrado na comédia, mas que deu um show ao dirigir esse suspense, mostrando ao mundo os seus múltiplos talentos. Esse é um thriller de suspense daqueles clássicos que deu muito certo! Mas e aí, conta um pouco mais pra gente sobre do que trata esse filme:

Karol: Bom, prometo, não dar spoilers! Mas é importante falar que a história trazida por Jordan é excepcionalmente intrigante e com boas doses de humor e terror psicológico. Ele conta a história de um casal que viaja para passar as férias em uma cidade distante e Chris se sente completamente inseguro para conhecer os pais de sua namorada branca, já que é negro. Convencido a ir, a história se desenrola de forma que quem assiste ao filme fica intrigantemente envolvido com a história, com a trama, que é uma espécie de terror psicológico.

E é importante frisar que alguns personagens foram fundamentais pra que a trama fluísse, a família de Rose é aparentemente sociável, acolhedora. Ok, o irmão de Rose e os empregados pode ser o que mais entrega o jogo por trás de toda aquela hospitalidade suspeita, mas ainda assim vamos encontrar uma construção muito bem arquitetada em todos os personagens. Como você falou, o filme já inicia com aqueles trechos que podem ser considerados clichê de um suspense do gênero: um casal vai viajar. O cenário está formado e todo mundo já sabe o final. Mas será mesmo? É aí que mora o perigo da pressuposição, pois o filme funciona como uma espécie de quebra-cabeças: a cena inicial, apesar de parecer desconexa vai acompanhar o público até o momento em que tudo fará sentido e bem diferente do esperado. Tá tudo muito bem encaixado.

E o racismo é o tema central desse filme, né Karol, porque ele vai mostrar de forma bem explicíta, a forma como o discurso do racismo se disfarça na sociedade. E é importante falarmos disso porque não somente nos Estados Unidos como aqui no Brasil a gente tem visto uma onda de discursos discriminatórios.

Karol: O filme, sem dúvidas, traz temas que merecem debates, discussões e reflexões acerca de racismo velado, e o racismo escancarado. Se nada disso te convenceu a assistir Corra!, vale muito a pena pensar em todo o contexto social e o pano de fundo da história que acompanha o lançamento da obra: este é o primeiro filme que aborda, mesmo que de maneira indireta, a América de Donald Trump. Em um país que se dividiu ideologicamente, que retrata as tensões sociais (seja pela luta de classes, seja pelos direitos LGBTQ e etc).

E foi bom você tu mencionar isso, porque é importante que antes de assistir ao filme você se familiarize com o cenário político de 2017. O filme chega como um soco no estômago de muita gente, principalmente no grupo de extrema-direita que já vinha se fortalecendo se valendo de discursos como esses: homofóbicos, racistas, misóginos enfim... Mas além da abordagem dessas temáticas, que motivos você acha que podem convencer os nossos ouvintes a acompanhar essa trama:

Karol: o meu interesse é fazer com que você assista ao filme. Então vou elencar aqui quatro simples e bons motivos pra que você faça isso: o primeiro é que não é um filme muito longo, então além de ser muito bom, tem de fato uma história muito concatenada, o que nos leva ao segundo motivo; Corra! É um filme cheio de detalhes, então quando você assistir uma segunda vez, você perceberá que de fato as ideias sempre estiveram conectadas; terceiro bom motivo, pra você que gosta de comédia e pra você que gosta de terror psicológico, Corra! Traz os dois gêneros de forma equilibrada, é claro; e o quarto (e último motivo), ele traz temas recorrentes e relevantes pro contexto social, ele subverte o terror pra falar de racismo e exibe, de fato, o terror racial. Não é à toa que recebeu 4 Oscars.

E falando um pouco dessas nominações, Corra! Foi indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor – Jordan Peele, Melhor Ator – Daniel Kaluuya (protagonista do filme) e Melhor Roteiro Original – Jordan Peele, mas, Karol, foi nessa última categoria que ele levou a estatueta pra casa. E pra quem já assistiu a trama e virou fã, Jordan Peele também dirigiu US, filme que conta a história de um casal que faz uma viagem à praia no fim de semana com os filhos. Outro filme fantástico assim como Corra! e que posso falar dele mais à frente pra vocês.

Karol: Bom, Tony, aproveito aqui a deixa pra dizer: vocês não irão se arrepender! Lembrando, que não sou nenhuma crítica de cinema, e falar sobre racismo não é o meu lugar de fala, é necessário portanto, uma educação racial que o indivíduo deve buscar por si mesmo, entretanto, deixo a sugestão desse roteiro excelente de Peele. E algumas informações aqui expostas estão disponíveis em sites na internet que relatam sobre o filme.

Sim, a gente vê no próprio filme a tentativa do homem branco tentar ser a voz final da sociedade, e esse conceito sobre o lugar de fala é importantíssimo porque cada pessoa é quem conhece sua história e isso garante a própria representatividade. Cada um conhece sua luta, seu espaço e o que nós podemos fazer é aliar nossas forças contra qualquer repreensão social.

Bom, é isso Karol queria agradecer tua participação de hoje, foi fundamental. Eu tive que assistir ao filme de novo e sim. É sempre bom vermos as coisas por uma nova perspectiva. Eu amei demais! Enfim, é isso espero que vocês tenham gostado do episódio de hoje e assista Corra!, se já, veja mais uma vez.

Karol: obrigada por todo este tempo que passei aqui com vocês e até a próxima.

Lembrando também que a transcrição completa desse episódio você pode consultar no blog: http://platonyco.com.  O podcast Sextou com Platonyco também está disponível nas principais plataformas digitais: Spotify, iTunes, GooglePodcasts, Castbox e demais plataformas, compartilhem. Tô amando o feedback de vcs!

Sexta a gente se vê de novo, cheiro!

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